terça-feira, abril 25, 2006

Afinidades

Ele tem um fraquinho pelo azul, eu pelo vermelho... Aliás, ele é que fala em vermelho, eu vou mais pelo encarnado.
Ele já usa sapatos de cordões. Pela minha parte, possso dizer que não foi fácil habituá-lo aos atacadores... Embora nunca ande de sapatilhas, aquilo a que eu chamo ténis.
Ele gosta de carros grandes, mas jamais andaria de furgão... eu também não me estou a ver de camioneta ou carrinha, francamente... Um Ferrari, sim! Seria vê-lo aos pinchos e a mim aos saltos!
Ele continua a ir ao quarto de banho, enquanto eu, com a mania das grandezas, chamo casa ao quarto dele.
À Pirralhita calçou várias vezes os carapins, eu chamava-lhes botinhas de lã.
Enfim, mais a norte ou mais a sul, ele será sempre o meu tripeiro. Eu serei sempre a sua moura. Faça sol ou morrinha, quer dizer... cacimbada, carago!

Viva a revolução!

A dela. A de cá de casa. Ontem ainda perguntei ao pai: "Achas que já podemos dizer que anda?". Ora, se ele, que é o cepticismo em pessoa, diz que sim, é porque ela anda mesmo!
O processo foi estranho e julgo que nada normal. Isto porque vejo toda a gente anunciar, de um dia para o outro, que os filhos já andam. Com ela nada aconteceu de um dia para o outro. Há uns tempos deu um passinho... Mas é isto andar?! E dois já é andar? E três? Quando é "andar"? E o tempo considerado razoável ia passando: os catorze meses, os quinze... com muito medo - pânico, eu diria - de se ver sozinha, por sua conta, sobre os seus pés. Toda ela tremia se ameaçávamos largá-la, mas sabíamos que era capaz, porque volta não volta lá se distraía e ficava de pé, sem auxílio. Tudo isto me deixava um bocadinho ansiosa, confesso. De tal forma que, quando me perguntavam: "E a tua miúda como vai?" Eu, enigmaticamente, numa frase sempre igual de sentido insondável para quem me ouvia, ia respondendo: "Vai andando..." E é que era mesmo isso. Ia andando. Não andava, ia andando... Mas como hoje já faz o quarto dela todo, de ponta a ponta, sem a prega das calças da mãe, nem o dedo mindinho do pai a ajudar, acho que a REVOLUÇÃO está aí: já anda!
Não, não tenho medo. Não, não é agora que chega o desassossego. Na verdade só quem não a conhece pode acreditar que a revolução começa aqui. Ela é a própria Revolução, desde que nasceu. Só para terem uma ideia, o que vos contei antes deste post, representa uma pálida pincelada do que ela é de facto. Já voava de asneira em asneira muito antes de andar. Agora, pelo menos, ouço-lhe os passos, mais perceptíveis que o bater das asas. Siga a festa...

10 minutos



É quanto dura o efémero sossego que a televisão me proporciona...
Q.b., para a idade dela e para a mãe poder fazer um xixi, sem tê-la a lamber o sabonete do bidé, a passar o piaçaba nas paredes e debruçada sobre a sanita, de cabeça para baixo, com a mão em concha lá dentro, bebendo água sorvida, enquanto lavo as mãos...
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sexta-feira, abril 21, 2006

terça-feira, abril 18, 2006

Olha que chatice...

Mas que insensata esta ideia de lhe oferecerem ovos de Páscoa! Lá tem a mãe de resolver a questão...





Nota discreta que agradeço que não comentem: acabo de liquidar um ovo Kinder... Eu disse "ovo", não "ovinho", daqueles enormes, de tamanho comparável a um abajour de
cozinha.

segunda-feira, abril 17, 2006

A produtora sugere

  • Que os bombons Ferrero Rocher passem a vir embrulhadinhos em papel de jornal, para perderem aquele aspecto irresistível de pepita de ouro;
  • Que os chocolates After Eight passem a chamar-se After Eight PM, para eu não voltar a distrair-me e começar a comê-los às nove da manhã;
  • Que a Confeitaria da Ajuda passe a embalar amêndoas em pacotinhos de três unidades, a ver se a ideia de devorar um pacote num minuto me deixa a consciência um bocadinho mais pesada.

Caso contrário, não tarda estamos na Pascoela e eu estou a comemorar a ressureição daqueles quatro quilos de peso excedentário, que eu julgava perdido para sempre...

Ah!...


Esquecia-me de virar a tabuleta.


Já está.

domingo, abril 16, 2006

Lição

A partir de hoje, a gaveta de primeiros socorros cá de casa passa a ter GAZE GORDA!

É que a queimadura foi "só" de 2º grau, as bolhas que apareceram logo a seguir até tornaram a coisa suportável, mas a pressa no final do duche, esta manhã, trouxe agarrada à toalha turca a pele, que deixou a descoberto o que toda a gente tem por baixo da pele e que eu não sei como se chama e tenho preguiça de tentar saber - é assim um tecido vermelho vivo, à beirinha do sangramento profuso, semelhante ao aspecto do coelho esfolado, não sei se estão bem a ver... A dor levou-me às lágrimas, ensandeci, logo ali, e às duas da tarde outra vez, e às quatro de novo, e às sete, e às oito... à medida que a manga da camisa se ia colando à queimadura, e se não era a camisa eram as compressas (com ou sem unguentos)... Mas por que raio não tenho eu gaze gorda em casa???!!! Porquê???!!! Porquê???!!!

Castigo:
escrever 100 vezes "Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros."

Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros.Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. Vou pôr gaze gorda na gaveta de primeiros socorros. 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quinta-feira, abril 13, 2006

Pedido da produtora (eu)

Concedem-me uns tempinhos de preguiça? Sim? Mesmo queridos!
Vou então ali virar a tabuleta:

Que é como quem diz: um dia destes...

quarta-feira, abril 12, 2006

Olha!...

Desapareceu outra vez. Eu avisei (outra vez)...

Porque a vida não é novela

«O Supremo Tribunal de Justiça entende que são «lícitas» e «aceitáveis» as palmadas e estaladas dadas por uma responsável de um lar de Setúbal a crianças com deficiências mentais. Esta instância considerou ainda um castigo normal de um «bom pai de família» fechar crianças em quartos e que as estaladas e palmadas, se não forem dadas até podem configurar «negligência educacional». De acordo com o «Público», que diz ter tido acesso ao acórdão do Supremo, a responsável tinha sido indiciada por maus tratos, nomeadamente por causa das estaladas e palmadas, mas também por fechar as crianças em quartos escuros quando estas se recusavam a comer. A responsável do lar tinha sido condenada anteriormente pelo Tribunal de Setúbal com pena suspensa por apenas um caso, o de ter amarrado por duas vezes os pés e as mãos de um menino de sete anos para evitar que este saísse da cama e a acordasse. O caso começou quando o Tribunal de Setúbal deu como provado que a arguida, responsável pelo lar residencial do Centro de Reabilitação Profissional, entre 1990 e 2000, fechava frequentemente um menor de sete anos, que sofria de psicose infantil muito grave, na dispensa, com a luz apagada, para que ficasse menos activo. Este tribunal condenou a responsável do lar a 18 meses de prisão, com pena suspensa por um ano, justificando esta pena pelo facto de a arguida não ter cadastro, facto que levou o Ministério Público a recorrer desta decisão.

E é assim. Quando nem um colectivo de juízes consegue entender que é imperativo assegurar que gente assim se mantenha "menos activa", palavras para quê? Não tenho mais nada a dizer sobre o insólito que abre os noticiários de hoje na TSF. Só não vou perder a oportunidade de me atirar hoje ao tema dos castigos físicos infligidos a crianças. A notícia foi o mote e hoje não há preguiça que me adormeça os dedos e dê folga ao teclado. É mesmo importante falar.

Lá em casa, a palmada pedagógica sempre se usou. A minha mãe era fervorosa partidária do método, o meu pai menos, mas por mero comodismo, eu acho. Ora, o meu inconformismo perante a violência física contra crianças vem justamente desse tempo, porque me lembro, como se fosse agora, de alimentar sentimentos de raiva e desejo de vingança de cada vez que apanhava uma palmada, mesmo que "justa". Lembro-me de ter 4 anos e pensar: "Quando for crescida, vais ver..." ou " Só me bates porque sou pequenina..." E são estas considerações, com quase 30 anos, que fazem da "palmada" um acto impensável para mim. Hoje, já "crescida", acrescento a estes argumentos a descoberta das virtudes da PALAVRA. Aprendi ao longo da vida que há sempre uma palavra que vai direita ao coração de forma muito mais certeira e humana do que as palmadas. Por outro lado, tão eficaz como a "palavvra certa" é o nosso exemplo pacifista. Uma criança que nunca vê levantar a mão lá em casa, vai interiorizar certamente que isso não é um acto muito normal. E qual será a "palavra certa" que vai direita ao coração de um bebé de um ano, que mal fala, mas já faz birras descomunais? A de cá de casa é uma: "triste". Digo-lhe em genuina atitude de sofrimento: " A mãe está triste." E, ao vê-la desesperada a tentar destapar-me os olhos infelizes que escondi por trás das mãos, descubro cheia de orgulho uma filha capaz da piedade e compaixão. Não, não é chantagem emocional, pelo simples facto de eu estar verdadeiramente triste e de ela ter agido de forma verdadeiramente reprovável. Não há teatro nenhum nisto, nem oportunismo psicológico. Claro que há momentos em que uma criança não está sequer receptiva à "palavra mágica", os gritos e os pés pelo ar não a deixam sequer ouvir. Este é então o momento para... Uma palmada bem assente? NÃO!!! É hora para radicalizarmos a atitude pacifista, por meio da maior arma que o pacifismo conhece: o silêncio. É altura de investir tudo na transparência da nossa alma, para deixar ver através dos olhos o nosso desgosto profundo. Depois, assim que a crise passar, volto a desembainhar o trunfo da PALAVRA para lhe dizer: "Que linda fica a R. sem chorar! Linda! Linda! Linda!". Nesta altura, ela costuma exibir-me a segunda maior arma de que o pacifismo dispõe: um sorriso. E eu apresento-lhe o último naipe do jogo: um beijo. Claro que a estratégia exige uma aprendizagem eterna e um treino persistente. Se é verdade que nos podemos orgulhar de nunca lhe ter levantado a mão, também é verdade que não podemos exibir a glória de ter encontrado sempre a "palavra certa"... Muitas vezes as palavras que encontramos são as piores possíveis, ainda por cima uns largos decibéis acima do razoável... Neste contexto, podem agora avaliar o tamanho do desgosto que experimentei no dia em que ela se lembrou de me levantar a mão. Eu não acreditava no que tinha acabado de ver! Debaixo do choque ainda consegui pôr em marcha a estratégia da "palavra mágica", seguida da táctica do silêncio. Ela entendeu, escondeu a cara envergonhada, e eu ganhei tempo para racionalizar o que acontecera: pois é, mamã, o mundo dela está já muito para além destas quatro paredes e contitui uma ameaça constante ao teu reduto de paz. Enfim, vou-lhe oferecendo "palavras mágicas", já que não posso educar o mundo...

Não sei se fui suficientemente clara e persuasiva. Sob forma condensada, o que quis deixar claro foi o seguinte: nenhuma forma de violência física tem justificação, podendo ser muito contraproducente, sobretudo a longo prazo. Destaco aqui os mais adversos efeitos das "palmadinhas":

- A criança banaliza o acto de violência e assume desde cedo que esta é uma forma natural de resolver conflitos;

- A criança interioriza da pior forma possível a "Lei da Selva" - só o mais forte (crescido, alto, de mão mais pesada) se pode impor e, portanto, passa a querer crescer em função disso mesmo - o poder, um dia, vai ser seu;

- A criança deixa de ter determinados comportamentos só para não apanhar, acabando por não reconhecer a inconveniência social dos actos que levaram à "palmada";

- A criança acaba por desenvolver um perverso espírito de sacrifício quando as palmadas se tornam frequentes, convencendo-se de que determinado comportamento ilícito compensa uns açoitezinhos.

Do ponto de vista do adulto, é bom não perdermos de vista uma realidade incontornável: quando um crescido bate num pequenino, está a ser cobarde, ainda que coberto de razão e cheio de boas intenções. Ponto final. É óbvio que, numa grande parte dos casos, com uma "palmadinha" alcançamos o nosso objectivo, mas convém não esquecer que nem o mais nobre dos fins justifica o uso de todos os meios, mesmo que esses meios apresentem elevadíssimas probabilidades de eficácia à partida. O êxito das nossas atitudes não diz nada sobre a licitude das mesmas.
E não nos iludamos com a ideia do "deixa lá, agora não aceitas, custa, mas um dia vais entender que foi para teu bem...". O problema é que "um dia" já vai ser tarde demais e a criança/adulto, entretanto, já entendeu tudo muito bem e aprendeu que a violência é a forma mais rápida de conseguir vergar a vontade do outro... rápida e eficaz, tão eficaz que não hesitará em usá-la sobre um filho...

Posto isto, convenhamos que não estamos a alimentar nem a revelar sentimentos muito nobres, quando batemos numa criança.

P.S. De propósito, não falei de "castigos", só de "palmadas". Esse é outro assunto, bem mais leve...

Comunicado da produção

A pedido de várias famílias, a produção está a ponderar a remota possibilidade de repor o estrondoso êxito blogueiro: Fotonovela de Domingo. Oportunamente, aqui será divulgado o horário de apresentação.

A emissão segue dentro de momentos.

terça-feira, abril 11, 2006

Deleted post

Eu avisei. Tinha mesmo de ser...

segunda-feira, abril 10, 2006

Carta aberta a Não-Sei-Quem

Não sei quem, mas sei onde. Sei onde deixei a decepção. Foi no Jardim Zooológico de Lisboa. Também sei quando. Foi numa soalheira tarde de domingo, 9 de Abril do corrente. E como não sei em concreto a quem me posso dirigir, porque o Jardim Zoológico não tem rosto - um impessoal endereço de email não é um rosto! - embora o tivesse procurado no respectivo site oficial, aqui fica a carta - espero que muito aberta - para que mais ninguém volte a pagar dois contos e trezentos de olhos fechados, por cada bilhete, que nos interdita o acesso a mais de um terço da área zoológica.

Então foi assim:

Íamos de espírito aberto, predispostos à tolerância e paciência que pressupõem estes passeios de domingo. Tão pacientes e tolerantes, que aceitámos de sorriso rasgado e ânimo leve uma hora e meia de espera dentro do carro, porque o maldito aguaceiro teimava em salpicar-nos os planos. Assim que o sol desistiu de brincar às escondidas e começou a prometer fotografias magníficas, foi ver-nos eufóricos a caminho das bilheteiras. A menina avisou em tom maquinal, enquanto emitia os bilhetes: "Não há espectáculo de golfinhos." Tudo bem. O Jardim Zoológico é muito mais que isso, embora tivéssemos pena, mais pela miúda que por nós... entretanto um letreiro complementava a informação descarregada no acto de pagamento: "Algumas áreas do Zoo encontram-se interditas devido a trabalhos de manutenção." Sim, senhor. A manutenção é importante... e que bom saber que a casa de tanta bicharada não está votada ao abandono. Sem mais delongas, gostaria só que me esclarecessem o seguinte pormenor matemático: quando mais de um terço da área do Zoo está interdita aos visitantes, podemos continuar a falar de "algumas áreas"??!! E quando estas insignificantes areazinhas correspondem, ainda por cima, à casinha dos tigres, do urso, das zebras e dos lobos? É que não estamos a falar da palanca-negra ou do elande, que não dizem nada ao comum das crianças! Não obstante o incómodo, ainda que interditassem quatro quintos da área zoológica, isto não me pareceria nada mal, se - e SÓ SE - a este percalço correspondesse o justíssimo, sério e honesto ajuste no preço dos bilhetes!

Aqui deixo tracejadas as "algumas áreas" de acesso negado ao visitante no Jardim Zoológico de Lisboa, conforme as encontrámos este fim-de-semana, pela módica quantia de 23 euros! - e isto porque não esperámos que ela soprasse três velas para ir ver o fungagá, caso contrário, subia a parada até aos 31 euros e 50 cêntimos!
Para terminar, não ficaria eu bem com a minha consciência, se não reconhecesse aqui a qualidade do pouco que nos deixaram ver. Para mim, que não visitava este espaço há mais de quinze anos, foi uma agradável surpresa constatar que os animais contam agora com um ambiente muito mais acolhedor, dentro dos limites incontornáveis do cativeiro.

sábado, abril 08, 2006

Se o Ruca diz...

«Que giro, olhem bem p'ra mim,
às vezes faço chinfrim,
crescer é mesmo assim,

sou o Ruca.»


Ah, bom! Fico muito mais descansada!...

sexta-feira, abril 07, 2006

Compulsão

É assim a escrita para mim. Pode parecer um exagero, mas eu sinto-a já como um vício, uma dependência, semelhante àquelas do domínio da patologia clínica. Não estou a brincar, hoje é sem humor, é sério.

Com a leitura é diferente. Considero-me até muito preguiçosa. Nunca fui uma leitora compulsiva. E isto nem me parece estranho. Afinal, quem gosta de cozinhar não tem forçosamente que gostar de comer e o inverso também é verdade. Embora eu goste de ler.


O que dizer de quem já não é capaz de observar as matrículas dos carros que vão à frente sem ler mentalmente "Tejo", quando está lá "TJ", ou "Paixão" quando a chapa diz "PX"? Leio e reescrevo, é automático.

O que dizer de quem tem coisas destas espalhadas pela casa toda?


É grave, Doutor?

Os dias "menos". Os dias "mais".

Um psiquiatra espanhol, residente em Nova Iorque, lança hoje no nosso país um livro sobre os benefícios do optimismo. Garante o senhor que 30% do nosso optimismo é genético, o restante vai sendo aprendido ao longo da vida, condicionado por uma série de factores. Concluí que, ou tenho muita sorte, ou sou muito boa aluna.
Há quem veja a vida só com dias "menos", há quem a veja apenas com dias "mais", há quem lamente dias a menos, e quem os considere todos demais.
Pessoalmente, não me identifico com nenhum destes grupos. Não sou pessimista, mas, em contrapartida, o espírito Wireless não tem nada a ver comigo - gosto de me manter ligada à terra, de preferência por meio de um cabo, que o fio pode partir. Não sou, portanto, sibila da desgraça, mas também não sou menina de construir castelos no ar.
Alguns dos que se revêem nas minhas palavras poderão pensar: "Pois, exactamente como eu. Não sou optimista, nem pessimista. Sou realista, isso sim." Sim? Não. Não há como nos mantermos em terreno neutral numa questão como esta. Não vale fugir com o rabinho à seringa e dizermos que somos "realistas", como que a querer dizer que temos uma visão prospectiva, futura, do mundo absolutamente objectiva e imune ao positivismo e negativismo que carregamos. Dizermo-nos "realistas", só porque aquelas que são as nossas expectativas se concretizam com muita frequência, é uma espécie de batota. Concretizando: se alimento expectativas de ver o meu clube perder uma eliminatória da Liga do Campeões Europeus, isso não faz de mim uma mulher "realista" (mesmo que, em termos matemáticos, a probabilidade de isso acontecer fosse elevadíssima). Prever um inêxito, que acaba realmente por se concretizar, não faz de nós indivíduos "realistas", o que acontece é que nos revelamos pessimistas com tendência para acertar. Não há como ser realista no domínio da prospecção, pelo simples motivo de que ninguém domina a realidade futura. Queiramos ou não, a forma como perspectivamos a nossa vida implica um posicionamento optimista ou pessimista face ao futuro. E, se ser "realista" é criar expectativas de acordo com probalilidades puramente matemáticas, abstraíndo-nos da nossa subjectividade, enganamo-nos de novo, porque a probabilística falha - e muito mais vezes do que os números fazem crer.
Pergunta-me agora a freguesia: então, se não és optimista, não és pessimista e realista também não, és o quê afinal, pá? Sou uma opsimista, pois! Sou daquelas que, não vivendo no mundo da lua, como optimista crónica e alienada, também não vejo sempre o diabo atrás da porta. Pertenço àquela estirpe dos que acreditam que, no meio da desgraça (que tem mesmo de acontecer), entre mortos e feridos (que terão mesmo de aparecer), alguém há-de escapar... E eu estarei certamente entre os que escapam, eu sei.

quinta-feira, abril 06, 2006

Cale-se!

"O crédito do seu cartão é inferior a um euro."
EU SEI!

Boa tarde, freguesia!

Abri a loja.

quarta-feira, abril 05, 2006

Por hoje chega.

Tanta produtividade está a deixar-me exausta! Fecho a loja.

Era uma varicela, por favor...

Aqui para a mesa do canto.

A verdade é que o pediatra vai recordando, desde a consulta dos seis meses, que lá para os dezoito temos a vacina da varicela. Sim, senhor, parece-me - ou parecia - muito bem. Tão bem, que até tenho sido eu a repetir-lhe o lembrete nas últimas consultas.

Acontece que, por ocasião da VASPR (a terrível vacina anti-sarampo, papeira e rubéola) me vi na necessidade de procurar mais informação sobre os efeitos secundários associados a este papão, que deixou a R. a arder em 40º de febre, por três dias consecutivos. Foi quando me deparei com algumas considerações sobre a vacina da varicela, que me fizeram reconsiderar a possibilidade de vacinação. Ora leiam lá
ISTO, fruto do trabalho do Professor Manuel Carmo Gomes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e membro da Comissão Técnica de Vacinação.
Dá que pensar, não? Agora expliquem-me lá por que meandros da diplomacia me meto eu, para comunicar ao pediatra que não a quero vacinar, não obstante o respeito que me merecem os seus cabelos brancos e o mérito profissional atestado por tão longos anos de exercício clínico? É que é mesmo assim: eu quero que ela apanhe varicela e o mais cedo possível.
Como descalçar esta bota, como, como? Simples: a vacina não chegará se a senhora dona varicela, a própria, chegar primeiro. Pronto. Depois só tenho de comentar com o Sr. Dr., em tom muito compungido: "Já viu, Dr.? Que maçada! Agora, a vacina... paciência!..." E ninguém sai melindrado, a não ser a minha Pirralhita, coitadinha, com umas quantas borbulhinhas, por dez ou quinze dias.
Assim sendo, procura-se menino(a) com varicela, em fase contagiante, que queira brincar às casinhas com a minha filha, um dia destes.
Muito agradecida.

Só uma perguntinha

Repararam que estou de férias, não é verdade?

Ainda é cedo, mas...




A barriga

Alguém lhe chamou "o inquilino do 6º esquerdo". Seja como for, quem palpitou pelos 6 meses de locatária nesta barriga acertou em cheio. Nem mais. Bom olho, Dona Lua e Dona Kiduxa!


E Francisca! E Francisca! E Francisca! E Francisca! E Francisca!

Ao rubro (adj. vermelho-vivo; cor de fogo)

António Lobo Antunes, hoje, 09h10, aos microfones da TSF:

O meu país é o Benfica.

OK. Hoje também eu sou benfiquesa. Amanhã volto a ser só benfiquista.

terça-feira, abril 04, 2006

Casa (quase) arrumada

Embora com as paredes por pintar. Repararam como está diferente? Ora vejam bem o 5º direito.... Cheiinho de dicas e conselhos: da tosse às enxaquecas, passando pelo kefir e pelos soluços, está mesmo convidativo! E o 6º andar? Já tem caixa de correio e tudo! O 4º piso ainda não está pronto, mas sempre está mais funcional... Pelo menos já não tenho de bater à porta da vizinha para me deixar espreitar as novidades do Dia-a-Dia; para saber com que cor estão as Ervilhas; se Mãe ainda se escreve com M; se a América ainda é o que está a dar for Making Babies; e se a Mãezite já tem cura ... é que as janelas deste 4º andar só tinham vista para as aventuras de Mrs. Bond; para a beleza de Dona Redondinha (na barriga, não nas Costinhas), para os dias de Dona Gaja (Aninhas para os amigos), para o paraíso em que ainda vive Adão (a história que nos contaram estava errada...); para os relatos interrompidos da mais reconfortante Profissão (a de Mãe); para a família do Kiduxo, toda ela muito kiduxa; para o mundo através dos Olhos Dela; para as considerações de uma Flor Silvestre que já foi mais espinhosa e verde, embora mantenha esta cor, não obstante a nova pintura; para as (des)venturas de uma Lady; e para a saga de uns Bichinhos (nada) Feios.
Só as paredes estão na mesma, à espera de tempo e disponibilidade mental que lhe tragam um template mais fresco e alegre, condizente com o espírito da prorietária - ou serei senhoria? Ou locatária? Nem sei...

sexta-feira, março 31, 2006

Humor negro... Bem... cinzentinho, talvez...

A propósito deste post e do comentário que tive de fazer, não pude deixar de rir recordando o dia em que ela foi pela primeira vez vítima da ira de um colega. A educadora escreveu na caderneta: "A R. sofreu um pequeno acidente. Um colega atirou-lhe com um brinquedo à cabeça e fez-lhe um pequeno golpe. O arranhão foi prontamente desinfectado com betadine." Sim, senhora. A mãe não panicou, até porque, observando a cabeça da miúda, não vislumbrava nem um vermelhãozinho que fosse, por baixo dos caracóis. E conforme hoje é vítima, amanhã - quem sabe?- é agressora. Tudo bem. Faz parte. Menos benigna e muito mal intencionada, confesso, foi a ideia que imediatamente me passou pela cabeça: vamos provocar o paizinho! YES! Toca de vasculhar a carteira - que engorda a olhos visto e a esta altura parece mais uma mala de porão- e telemóvel em punho. Percorro a grande velocidade os menus disponíveis até às mensagens. Começo a teclar: "Venho fazer queixas, papá: 1 menino deu-me c/ 1 brinquedo na pinhinha e fez 1 ferida q a R. teve de tratar c/ betadine...~". Bom, a resposta, como malevolamente previ, não se fez esperar. O que não fui capaz de prever foi o extremo a que pode chegar o zelo de um pai-leão. Rezava assim o sms de resposta: "O paizinho vai-lhe dar com um brinquedo na mona tb. Mas o paizinho gosta de brincar com machados...*na pinhinha e~" À parte o private code que põe termo à ameaça, compreendem a transmutação a que está sujeita a natureza humana, quando o que está em causa é a defesa da prole, não é?... Acreditem! Ele não é nada assim! A verdade é que o pacifismo é a palavra de ordem cá em casa! Espero que me tolerem este momento de humor um bocadinho menos que negro, mas não resisti... Tinha mesmo de contar.

quarta-feira, março 29, 2006

Estou grávida...

...Há dois anos. Calma! Calma com os entusiasmos! Enganei-vos, pois claro. Estou para aqui a rir enquanto escrevo imaginando as reacções ao título. O pai da casa até é capaz de ter tombado sobre o teclado se resolveu espreitar o "vlog" lá na empresa. Bom, a páginas tantas, já não sei quem é que anda ao engano... O caso é simples: à minha caixa de correio electrónico continua a chegar, há já dois anos, um e-mail semanal intitulado Pregnancy without problems e um outro, ainda mais insólito, denominado Your pregnancy this week. Lá vou apagando os ditos mails, sempre com um grito: "JÁ NASCEU!!!" Irra! Ainda que fosse cria de hipopótamo, já cá estaria há muito tempo!

Não estou, mas já estive



E a propósito de umas barrigas que circulam por aí e que me deixam azul de inveja, aqui deixo as evidências que comprovam o que foi a minha "casinha de bonecas" - sim, que eu nunca tive um T0 sequer! - ou melhor será chamar a "casinha da boneca", linda bonequinha, por sinal.

Ora vamos lá a adivinhar quanto tempo de inquilina tinha a minha bonequinha nesta altura... Imaginam?
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domingo, março 26, 2006

Ó da guarda!!!

Acudam! Apanhem o bandido que me roubou uma hora de sono este fim-de-semana!
E com todo o desplante chamam-lhe "hora de Verão", a ver se me seduzem... Quero lá saber do Verão! Já disse: têm dez minutos - eu disse DEZ - para me devolverem a minha horinha de Inverno! Depressa!

Querem fazer o favor...

... De não concordar com tudo o que digo?! Façam, por exemplo, como o Sr. Dr.! Tem muito mais graça!

quinta-feira, março 23, 2006

VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA!

À saída do hipermercado, vinha com um pacote de biscoitos para cão dentro do casaco. Eu juro que não vi nada! Eu juro que não sei como fez ela aquilo! Eu juro que a educo dentro dos melhores princípios! Acreditam, não acreditam?
Por outro lado, pergunto-me se esta paixão por tudo o que tem focinho, bico ou barbatanas não estará a ir longe demais...

quarta-feira, março 22, 2006

Na cama com...

Os pais, o gato, o cão, o ursinho, a fralda, seis chuchas, a camisa da mãe... o que tiver de ser. Perdi os preconceitos nesta matéria. Para tanto bastou parir uma filha e ler um livro. Sei que não vai faltar quem apareça a rebater as minhas palavras - e atenção que eu disse palavras, não disse teoria, não venho teorizar, tudo o que aqui ficar dito teve e tem concretização real. Para quem não entendeu ainda, ou não tem a certeza de ter entendido, esclareço, preto no branco: venho, sim, senhor, defender a partilha da nossa cama com as nossas crianças. O.K. Já estou a imaginar as primeiras reacções de alguns dos que me lêem: "pois... esta já conseguiu estragar a filha e agora procura companhia na desgraça..." Não. Para que fique claro, também: ela deita-se, invariavelmente, por volta das 21h30 (na cama dela) e só acorda, ritualmente, por volta das 08h00 (na cama dela). Mas uma coisa ela tem garantida desde sempre - quer dizer... desde que li o livro - basta dar sinal e a nossa cama é dos três. E a verdade é que tem noites muito melhores desde que assim é. E a verdade é que é assim desde os seus seis meses, embora ela fizesse noites seguidas de sono desde os dois meses, talvez... Simplesmente, assim que percebeu que podia baixar a guarda ao longo da noite, porque a nossa protecção estava garantida, passou a dormir com outra serenidade, que transparece na sua expressão. Ela passou a ter a garantia de que a atendíamos sempre, de que não estávamos à espera que fechasse os olhos para fugirmos, de que não seria traída pelo peso dos olhos e transferida para outra cama a meio da noite. Por outro lado, nunca nos passou pela cabeça pô-la a dormir se não estivesse realmente cansada e com sono, foi ela que foi ao encontro do relógio e nunca sentiu a ameaça dos ponteiros. Ainda hoje nos perguntamos, todas as noites, quando se aproxima a hora: "Achas que já está pronta? " E a resposta tem de ser "Sim", caso contrário, volta aos livros, às torres de Mega Blocks, aos beijos roubados, às turras de mimo... Como se falássemos de um parto, respeitamos meticulosamente cada uma das fases da passagem da vigília ao sono, sem saltar nenhuma, sem precipitações, porque também num parto não passaria pela ideia de ninguém mandar fazer força a quem não chegou sequer a experimentar uma contracção.
Até agora, fiz-me entender, não é verdade? Ninguém tem dúvidas de que ela é um exemplo de disciplina no que toca a hábitos de sono (e não só, mas isso dá outro post...)? Vamos então à cama dos pais. A necessidade, sublinho NECESSIDADE, do ser humano dormir acompanhado é genética e perde-se na memória dos tempos. Nos primórdios da Humanidade, dormir sozinho era sinónimo de extinção. Dormir com outros garantia-nos a sobrevivência. Quem dormia sozinho estava mais vulnerável e sucumbia às garras de qualquer fera e à lei do mais forte, que no caso era sempre aquele que tinha inteligência suficiente para não cometer o erro de adormecer sozinho. Ora, não é novidade para ninguém - qualquer pai ou mãe mais atento o terá já constatado - que as crianças conservam o que de mais instintivo há no Homem. É justamente o instinto de defesa e sobrevivência que obriga um bebé a chorar ao longo da noite. Se assim não fosse, a mãe corria o risco de adormecer por demasiado tempo sem o alimentar, ou de chegar já tarde, quando um predador mais atento desse com a cria. Claro que existem crianças que nunca choram, mas essas, noutros tempos, estariam condenadas à partida, não teriam grandes hipóteses de atingir um ano de idade. Digamos que os "chorões" estão geneticamente melhor apetrechados para sobreviver. Colmatadas as necessidades de alimento e higiene, resta a necessidade de protecção pessoal, que a criança procura garantir acordando de vez em quando, para se assegurar de que estão a olhar por ela. A partir daqui, o ciclo pode seguir duas vias distintas: ou a criança constata que a sua segurança está idubitavelmente garantida e começa a acordar cada vez com menos frequência, porque consegue serenar o espírito; ou verifica repetidamente que não está protegida, que foi enganada numa segurança ilusória, e começa a acordar cada vez com mais frequência, a exigir atenção constante e a reivindicar abusivamente a cama dos pais, como forma de se certificar da sua própria segurança. Aquela teoria, defendida por muitos, de que o bebé pode ser embalado, mas deve ser deitado na sua cama ainda acordado, para não estranhar o espaço quando voltar a acordar a meio da noite, está certa na forma de operacionalização, mas não no seu fundamento. Quer dizer: sou de opinião de que o bebé deve de facto ser deitado na sua cama ainda acordado, mas não por uma questão de reconhecimento espacial. O que acontece é que, quando fazemos isto, estamos a dizer à criança: "Vês? Ficas aqui e estás segura. Não te quero enganar." Acontece que isto só pode ser feito quando o bebé já entendeu que não corre riscos e pode confiar no nosso socorro intantâneo sempre que necessário. O êxito neste processo de aprendizagem da confiança, faz das crianças seres mais independentes, empreendedores, ao contrário do que defendem muitos. Uma criança constantemente traída na sua confiança torna-se receosa, isso sim!
Demasiada teoria, para quem disse que não vinha teorizar, não? Mas a teoria não é minha. É do pediatra Carlos González, que em boa hora escreveu o livro Bésame Mucho. Como Criar os Seus Filhos com Amor. Uma verdadeira bíblia para os pais!
Eu posso assegurar: a minha filha teve a cama dos pais sempre que quis ( e tem querido algumas vezes, todas justificadíssimas por doença, sonhos maus, rotina diária transtornada...); no entanto, continua a sorrir ao seu colchão, lençóis e edredon quando o relógio marca as 21h30. Daí para a frente é só "Até amanhã...", com dois beijos e uma visita tardia ao quarto, só para a vermos dormir e para afugentar algum lobo mau...
Agora batam-me, vá. Não me importo.

terça-feira, março 21, 2006

E no Dia Mundial da Poesia...

... O poema que foi sempre a minha bandeira enquanto filha, mas que ainda não estou preparada para ouvir como mãe... Não vais declamá-lo tão cedo, pois não, miúda? Diz-me que não... Preciso de tempo... Muito? Muito...

Poema à Mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.


Eugénio de Andrade
in Os Amantes Sem Dinheiro (1950)

NOTA: O blogger dá comigo em doida! Não consigo apresentar devidamente o poema! Não dá para formar estrofes! Enfim... Desculpem-me. Que me desculpe o magno poeta.


NOTA 2: Agora sim! Está já como sempre deveria ter estado! Não fui eu! Foi a Dona Redondinha. Obrigada!

domingo, março 19, 2006

Tiffosi



Não, não estão a ver a minha cadeirinha de refeição, é o meu cockpit mesmo. Nã, nã, nã, não é a Pirralhita que aqui está, é o Schumi, ele próprio (de cabelo mais claro e olhinhos mais azuis, mas isso não interessa). Não, não estão com problemas de vista, nem estou a tentar ocultar a minha identidade, só não me autorizaram a ida às boxes e o resultado, em pleno andamento, foi este, um bocadinho difuso. Não, não me dá esta maluqueira todos os domingos, só hoje, que é dia do pai.
Beijo, pai!

PAI

Como é que adivinharam que o pai é doido pelos seus pezinhos!?... E pelas mãozinhas, e pela boquinha, e pelos olhinhos, e pelo narizinho, e pelos caracóis, e... Venhamos e convenhamos, a educadora não teve muito trabalho para acertar...

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quinta-feira, março 16, 2006

Bibliodevoradora


Sim, inventei. A palavra não existe. Mas posso explicar como nasceu o neologismo. Explicar, não. Vou mostrar. Conseguem ver a falha de coloração a meio do livro, junto à margem direita? Não, não é problema tipográfico. Não é uma mera falha de coloração. É uma dentada a sério. Com mais atenção é mesmo possível reconhecer o recorte de quatro incisivos e dois caninos. Este quero guardar para a posteridade, para contar um dia à minha devoradora de livros como foram os primeiros anos deste amor pelas páginas encadernadas. Devora livros, em sentido literal e figurado. É a primeira coisa que faz de manhã: agarrar-se a eles, folheá-los com uma ansiedade semelhante à de Gama chegando à Índia, e suplicar que lhe descrevamos as imagens que ela vai apontando. Por vezes, o insólito acontece: o amor puramente platónico, esta bibliofilia, deixa de satisfazer e torna-se físico, carinhosamente revelado à dentada. Qual será, amanhã, o "prato do dia"?

O post que se impõe

Obrigada. Aos que leram e comentaram, e aos que leram e, não comentando, entenderam.

sexta-feira, março 10, 2006

A S., hoje, não foi à aula. "Perdemo-la" no início da semana. Não consigo alternativa ao eufemismo "perdemo-la". Até porque o verbo perder traduz melhor o estado de desamparo em que a sua ausência nos deixa.
"Devagarinho, S.zinha! Devagar!" foram as palavras que mais vezes lhe repeti. Mas a minha menina, embora limitada nos seus movimentos, insistia na pressa. Afinal não era pressa de chegar, era pressa de viver, porque foi realmente curto o seu tempo. Para mim, isto agora é claríssimo, mas só agora - é claro que um temporizador limitado a 17 anos só pode impor-nos pressa, muita.
Se pudesse, apagava esta semana do meu calendário e passava a repetir: "Corre, S.zinha! Corre!" Mas agora é tarde...
Espera por mim, querida, que um dia acabamos a ficha que ficou a meio.
A professora que passa a recordar-te em cada aula que voltar a dar na vida.

quarta-feira, março 08, 2006

Às Mulheres da minha vida
























...Todos os dias, não só a 8 de Março, obrigada!

segunda-feira, março 06, 2006

Boa, Google!

Dei por mim, já cheia de sono, a trautear uma canção que adorava em miúda. Só o início saía fluente, ao terceiro verso empancava. Ainda recomecei, a ver se fintava o nevoeiro da memória, mas não, era escusado. Que pena... pena mesmo. O que eu gostava da canção!... Espera! Parece doidice, mas não custa tentar. Precipitei-me para o teclado: http://www.google.com No campo de pesquisa arrisquei: "indiozinho estava a chorar". E... Ahhhhhh! Boa, google! Boa!

O indiozinho estava a chorar,
sem um cavalo para montar,
foi para o prado ao pé do rio,
viu um cavalo cheio de frio.
O cavalinho estava a tremer,
o indiozinho deu-lhe de comer,
fez-lhe festinhas foi p'ro pé dele,
trouxe uma manta dormiu com ele.
No outro dia partem os dois,
ficam amigos sempre e depois,
o cavalinho galopa bem,
gosta do dono qu'agora tem.
O post não podia ser mais naif, eu sei, mas soube tão bem este despertar da memória...
A mãe amanhã canta, filha.

quarta-feira, março 01, 2006

Elogio da estupidez

A fazer fé na publicidade, o primeiro lugar no pódio da inteligência ia para um esquentador. Tudo porque o "bicho" liga e desliga com a abertura e fecho das torneiras de água quente. Quer dizer: anda para aí tão boa gente de canudo, mestrado, e doutoramento, abertos e fechados a tanto custo numa Sorbonne ou numa University of Massachusetts , para vir depois um qualquer esquentador tomar-lhe os predicados! Pois eu venho decidida a denegrir a imagem do presunçoso electrodoméstico e não é por me fazer sombra ao canudo, não! É mais por me ter deixado, dias a fio, de pele, cabelo e dentes arrepiados, com doze quilos de peso à anca, enquanto enchia, aquecia e vertia chaleiras de água a ferver na banheira da Pirralha! A verdade é que o desgraçado, o ESTÚPIDO - é bom que se diga! - me deixou sem água quente! E não foi a primeira vez - as manifestações de estupidez começaram ainda em Janeiro, mas nessa altura, como se recompos, eu resolvi dar-lhe o benefício da dúvida... Afinal de contas, todos temos direito aos nossos acessos de estupidez... Ora, daqui tirei a primeira lição: há que saber distinguir um caso crónico de um caso agudo, e ao primeiro o melhor é não dar grandes hipóteses de remissão. Eu dei e fiz mal. Não entendi à primeira que a "inteligência" do meu esquentador era um falso atributo, argumento publicitário obviamente enganoso, mera utilidade electromecânica de falibilidade altamente provável. Pois... ninguém tem culpa de nascer estúpido e o meu esquentador também não teve. A quem tenho de apontar o dedo é à publicidade que me convenceu do contrário, que me fez acreditar na inteligência de um esquentador, preparado para responder na perfeição às ordens das torneiras de pintinha vermelha - sabe as cores, é ecológico, económico e seguro! Tão inteligente que ele é! Era! E eu que estúpida que sou! Fui! Acabou! Tragam-me um esquentador estúpido! Quanto mais estúpido melhor - daqueles que não sabem as cores, não entendem nada de ecologia, não fazem contas aos euros, mas sabem aquecer água! É mesmo só isso que sabem fazer. É mesmo só isso que se quer.
Chamámos o técnico. Daqueles que se fazem pagar melhor que qualquer especialidade médica. Nem pensar em novo conserto. Não queríamos nem sequer ouvir falar de diagnóstico. Queríamos lá saber se era de novo o hidrogerador, a conduta de saída de gases de combustão, ou a variação de pressão na rede de abastecimento! O prognóstico é que estava feito à partida: Lixo com ele! Sim, senhora, que tínhamos toda a razão, que o melhor era jogar pelo seguro e não valia a pena enterrar mais dinheiro. A coisa resolveu-se num abrir e fechar de olhos, ou melhor será dizer num descer e subir de pés para cima da minha bancada de cozinha, aquela onde assento os bifes, pico salsa, sirvo sopas e descanso a colher de pau que mexe o arroz! Mas para que me pediu ele o escadote??!! Apeteceu-me insultá-lo de tudo o que há de pior, e, assim de repente, não me ocorria nada pior do que a apóstrofe "esquentador de última geração". Era isso mesmo que me apetecia chamar-lhe! Mas não foi preciso. Deve ter percebido pela minha cara que estava à beirinha de uma apoplexia e tratou de remediar o caso muito ligeirinho: toca de pegar no meu paninho amarelo, aquele que está junto à louça lavada e tem por única função absorver a água que me vai encharcando a bancada (a tal dos bifes, da salsa, da sopa, da colher de pau...) e ... zumba, zumba, zumba, zumba - "limpa-me" em 3 segundos o espaço onde tinha posto os pés e, não satisfeito, pega num tupperware imaculado que eu tinha a escorrer e recolhe lá dentro todo o lixo que foi juntando, como se me fizesse um grande favor. Balanço da operação: uma hora e meia a lavar freneticamente, com lixívia e trejeitos de esquizofrénica, cada milímetro quadrado onde supunha que o infeliz pudesse ter tocado. Enquanto esfregava os azulejos e a consciência, perguntava-me: Para que ensino eu Os Lusíadas a esta gente? Amanhã vou pregar o episódio do Consílio dos Deuses ao meu esquentador que, vá-se lá saber porquê, é de novo inteligente...

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Mas como ainda não tem 6 anos...

Tem direito a uma sessão de "Escolinha de Música" por dia. E a verdade é que delira. Delira ela e deliramos nós, com as coreografias, sobretudo as inventadas: é uma delícia vê-la de dedinho censório apontado ao Josezito, e a mãozinha implacável fazendo-lhe adeus, como quem diz: "Lamento, meu amigo, mas pisaste o risco...!". E a inocente presunção, imodéstia mesmo, com que aponta para os seus próprios olhinhos quando ouve a frase: "Ai, os teus olhos, ai, os teus olhos, menina, ainda matam, ainda matam muito mais"?!... Bom, imodéstia, imodéstia não será... Ou é?

Interdito a maiores de 5 anos!


E ainda lhe chamam ESCOLINHA!!! Bom, vá lá que é só de música... O pior é que a música tem letra! E a letra (as letras!) estão pejadinhas de erros ortográficos! Aqui ficam as razões do meu escândalo:


  • A interjeição "Ai" não tem acento gráfico!
  • A locução adverbial "para trás" não se escreve com Z!
  • A preposição "pra" não existe! A elisão deve ser assinalada com um apóstrofo, assim: "P'ra"!
  • O diminutivo de palavras agudas, como "José" e "pé" não leva acento gráfico! Escreve-se "Josezito" e "pezinho"!

O DVD "Escolinha de Música" tem-me rendido largas horas de sossego, é verdade, mas assim que a miúda faça 6 anos, rifo-o, ou melhor, a bem da língua pátria, queimo-o!

Um carolo já!

Belisquem-me; batam-me a sério; arranquem-me uns quantos cabelos; passem unhas na caliça da parede; façam chiar paus de giz no quadro preto; tragam-me gelo para trincar; em vez de uma trident, quero mascar um cravinho da Índia... Tudo para acreditar que é verdade: tenho uma hora só para mim!!! São duas e meia da tarde e até às três e meia o meu tempo é meu!

domingo, fevereiro 05, 2006

Laços de sangue

Cá em casa não há disso. Os atilhos ficam muito aquém da nossa realidade. Cá, usamos mais correntes, daquelas de elos em ferro.

Até hoje, sempre arrumei a expressão "laços de sangue" na gaveta do lirismo poético. Considerava relativa essa coisa da "voz do sangue". Entendia que eram as necessidades básicas de sobrevivência a determinar a direcção e intensidade dos afectos. Achaques psicossomáticos, como febrões, vómitos e diarreias, causados pela ausência de um ente querido, aos meus olhos resvalavam para o campo do folclore, fenómeno culturalmente condicionado.

Hoje, sei que me enganava. Sem perder tempo com muitos pormenores (que são mais pormaiores a reforçar a minha nova perspectiva), deixo-vos a saga cá de casa.

No preciso dia em que o pai se foi embora, para longe, muito longe, a nossa Pirralha adoeceu. Não podia calhar em pior altura - pensei eu - com a ausência do pai por quatro semanas. O estado do "elo mais pequeno" foi-se agravando, até à visita do pai, ao fim de duas semanas. Então foi vê-la recuperar: ninguém lhe ouvia uma queixa; todo o dia só sorrisos; a febre caiu a pique, até desaparecer por completo; as noites voltaram à calma habitual, sem lamúrias às horas mais estranhas... Mas o relógio não perdoa, a direcção dos ponteiros não se inverte, e o pai lá foi, de novo para longe, muito longe... e antes mesmo de lá chegar, já tinha a notícia da recaída. De novo doente, de novo queixosa, de novo a arder em febre... Os dias passaram, todos igualmente penosos, entre delírios de termómetro, vómitos, diarreias e noites em claro: um, dois, três, quatro... catorze. As horas arrastavam-se travadas pela excitação da chegada à beirinha de acontecer! O pai estava quase, quase aqui! Empoleirada no corrimão que separa os saudosos que partiram dos saudosos que ficaram, a miúda parecia alheada do frenesim do aeroporto. E foi pelo seu sorriso que confirmei: chegou! Tanto colo, tanta turra,tanto pender de cabeça sobre o ombro que voltou, tanta baba, tanto puxão de cabelos e bofetadadinhas (porque o amor em êxtase também se manifesta assim!)... E foi o que bastou para sanar o que escapou aos antibióticos, anti-inflamatórios, antidiarreicos e expectorantes...

Só mais uma informação: por contingências da vida, este pai deixou há muito de lhe dar banho, sopa, bifinho com arroz, fraldinhas limpas. No entanto, não deixou nunca de brincar ao "cucu" e ao "vou-te papar o pé" todas as noites; faz questão de lhe dar um beijo de bons sonhos e de lhe aconchegar os lençóis; constrói torres "arranha-tectos" só para a ver rir no momento da implosão; anda na recolha das chuchas, de lanterna em punho, antes de se deitar; testa a temperatura do quarto com demasiada precisão para o meu gosto; e, acima de tudo, leva os dias babado, sem se aperceber da sua absoluta falta de isenção quando fala da filha...
O que quero mesmo que fique claro, borrifando-me na CIÊNCIA, é que a minha filha adoeceu porque lhe faltou o PAI. Nunca lhe faltou sopa, rabinho besuntado de creme, nem tão pouco as construções de Mega Bloks. O que lhe faltou mesmo foi o PAI.
Ah! Só mais uma coisinha: aquela brincadeira do "Pronto.Um beijinho. Já passou!" é mesmo verdade! É só para avisar...

1,2,1,2, testando...

Daqui donde vos escrevo, testo o novo teclado. Sim, senhor! Não come letras, não apita à toa, não acciona caps inadvertidamente, é praticamente silencioso... Resta-me desejar-lhe um resto de vida mais seco e menos pegajoso que o do seu antecessor, que ela fez o favor de regar com um copo de leite...

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Mulheres no feminino

Não, o título não é redundante. Redundante é ouvir falar de mulheres no masculino, pela boca e pelos olhos deles. Do ponto de vista puramente estético ou, para ser mais directa, falando de beleza física, é tão raro ouvir as mulheres falarem de mulheres... Por preconceito ou despeito, as mulheres não falam delas, não comentam a cor de cabelo da que atravessa a estrada, os olhos da que serve o café, as pernas da que recolhe os livros na biblioteca... isto para não ir mais longe. A não ser que se entenda por comentário a benigna má-língua, até parece que elas não as apreciam, quando isso não é verdade. Sem preconceitos, posso dizer que já olhei para trás na rua, presa a um rosto feminino invulgarmente atraente, ou a uma cintura como gostava de ter, ou às mamas que nunca foram as minhas, nem quando amamentei. Claro que a subjectividade do conceito pode levar-me a olhar para alguém que outra qualquer acha absolutamente desinteressante.Tudo bem. Só não acredito na indiferença das mulheres perante a beleza feminina. Os meus parâmetros estéticos são obviamente só meus e até podem parecer por vezes estupidamente contraditórios, mas estão cá e não os nego. Como explicar que tenha por ideal de beleza feminina, ao mesmo tempo, figuras como Sophia Loren (linda de morrer!), Juliette Binoche, Isabella Rossellini,Ingrid Bergman e Inês de Medeiros? Sendo que uma figura como a da plástica Bárbara Guimarães não me diz nada, embora reconheça que esta está para Sophia Loren, como Juliette Binoche está para Catarina Furtado, que me é igualmente indiferente. Explica-se? Não. Portanto, não me peçam critérios. Sei apreciar mulheres, eu sei que sei, e pronto!
Nota: Esta reflexão vem a propósito de um Páginas Soltas com Inês de Medeiros. Resultado do confronto televisivo: 3-0 p'rá Inês. Sem hipóteses, Bárbara, desculpa...

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Comemorando

Toda a gente se lembra de comemorar o aniversário de nascimento, o aniversário de casamento... Pois eu venho partilhar a comemoração de um aniversário especialíssimo, menos comum, mas com lugar privilegiado na minha memória: o aniversário de uma gargalhada. Isso. Faz hoje um ano que ela riu à gargalhada pela primeira vez, "dobrou o riso", como se costuma dizer. Foi um gargalhar sufocante, de olhos extasiados e fixos no penacho desmanchado que a mãe agitava no cimo da cabeça. A minha figura era de facto ridícula e o seu sentido de humor despontou ruidoso e contagiante. Ainda não tinha dois meses. Nunca mais o esqueci, ela também não - como quem aprendeu a andar de bicicleta, continua a gargalhar todos os dias.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Já dei.

E sinto-me melhor com a minha consciência.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

É que não há necessidade!

Mas alguém vai mudar a sua intenção de voto pelo facto de ver e OUVIR passar um carro de campanha na rua???!!! Para quê tanta chinfrineira???!!! As músicas são um susto (até a minha miúda se agarra à cadeira, ela que só precisa da música de iniciação do Windows para dançar!) a qualidade do som não permite entender 90% do que palram... Para quê aquilo, Santíssima Virgem, Sagrado Coração, Cristo Senhor???!!! Não, não estou a invocar em vão a divindade! Não são vãs as minhas réplicas! É que eu vou acreditando piamente na erradicação sumária destes meios de campanha, com muita fé...
P.S. Obrigada, querida "Gaja Aninhas"! Nem dei pela troca às tantas da noite, a sonhar com umas horinhas de sono. Claro que é com e!

Venham os xixis...

Por causa desta redondinha, tenho a bagageira a abarrotar de fraldas!
O Continente agradece e eu também!

terça-feira, janeiro 17, 2006

Mais dedos no ar...

.. Para quem tem pirralhada com mais de um ano, sem antibiótico no historial.
Continuo aqui ao cantinho, de olhos no chão, a agarrar com muita força o indicador direito com a mão esquerda. :(

Dedo no ar...

... Quem tem pirralhada com mais de um ano, sem uma otite no currículo.
Ó p'ra mim muito sossegadinha de mãos atrás das costas.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Post de Amor

Foi Pessoa quem disse: "Todas as cartas de amor são ridículas". Presumo que os posts também. Quero então ser ridícula. Não me importa. Podia declarar-me aqui por meio do nosso código, muito mais que linguístico: aquelas palavras que só nós entendemos, termos de idioma nenhum, gestos nunca combinados, ou aprendidos, ou ensinados, mas tão certeiramente interpretados. Não, essa linguagem não posso, não quero trazer para aqui. Nem interessava, porque não é a ele que falo. Hoje falo ao mundo. Quero dar a notícia do meu amor. Isso mesmo, a notícia. Tão objectiva, isenta e clara quanto uma notícia deve ser. É complicado falar objectivamente do amor, do amor que é o nosso, mas vou ser capaz.

Hoje amo-o ainda mais que ontem - isto é objectivo, porque é matemático.

Com todas as suas fraquezas de carácter, amo-o - isto é isenção.

Amo-o assiiiiim... muuuuito (imaginando que estou de braços abertos, dedos esticados, como uma criança convencida de que toca a ilha do Corvo com uma mão e a China com a outra) - isto é claro.

Berlim fica aqui - isto não é claro, objectivo, nem isento e contraria toda a lógica matemática, mas o AMOR tem destas coisas...

Agora para ti: AMO-TE.SAUDADES. BEIJO.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Too Much Love Will Kill You


Não acredito. Mas às vezes até parece. Parece que me vou consumindo em tanto amor. Tanto amor chega a transtornar-me a ponto de não me reconhecer. Passo-me, literalmente. Literalmente paixão, no sentido etimológico do termo, que é filho do pathos grego - o sofrimento por excelência. Quero para mim todo o sofrimento que estiver guardado para ela. Já! Não me importo de o suportar todo de uma vez, ou à laia de tortura, em cadência de pingas de torneira avariada. Seja como for, que sejam todas minhas as suas penas. A de ontem já passou... mas a próxima febre quero sofrê-la eu! É uma ordem!

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Ora, dica lá!

Acordei, ou melhor, levantei-me (porque hoje a noite correu mal) mordida pelo bichinho do pragmatismo. O sentido prático, a habilidade para atalhar caminhos à partida mais tortuosos, é daquelas qualidades que me seduzem à primeira. Gosto de gente assim: positiva e pragmática, do género "as lágrimas limpam-se à manga e depressa, pegar no lenço é perder tempo". Atalhando então no discurso, apetece-me inaugurar hoje, aqui, o espaço da "Dica Positiva". Desafio todos aqueles que detenham o segredo de uma grande solução, seja para que mal for, a deixarem-no aqui, partilhado e à disposição.

Exemplificando, chego-me eu à frente:

Como travar instantaneamente uma terrível diarreia, resistente a todos os chás, HN25 e Ultra-Levur?

Resposta: Deixar cozer um pouco de arroz carolino em muita água com cenoura ralada, durante uns 20 minutos. O resultado deverá ser uma pasta com os bagos de arroz quase indistintos, a que se deve juntar, já no prato, uma colher de café de levedura de cerveja em pó (ou 4 comprimidos esmagados). Isto para um bebé. Para um adulto far-se-á exactamente o mesmo, mas com 6 a 12 comprimidos de levedura.

Ora, dica lá também.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Ai que boa notícia!

Esclarecimento: repararam que o texto está linkadinho, não é verdade?

domingo, janeiro 01, 2006

Réveillon de son(h)o

Exactamente como planeado. De cronómetro accionado, a mãe deu sinal. O brinde foi com martini, porque ninguém se lembrou do champagne. Ao lado da cama dela, às escuras, de mãos dadas, um beijo marcou a entrada no novo ano. Nos caracóis que se adivinham deixámos uma festa, muito ao de leve, não fosse o ano começar mal... Em pezinhos de lã fechámos a porta e voltámos à mesa das azevias, coscorões, sonhos e bolo-rei.
Que esta calma e paz se estendam por cada dia do novo ano.

quarta-feira, dezembro 28, 2005

O filme que não quero para mim

Quero mesmo falar do meu Natal e do Natal de toda a gente. Mas antes não resisto. Vamos a sentar, meus senhores e minhas senhoras, porque o filme merece. Se não tivessem de ler a cena que me preparo para descrever, até vos pedia que fechassem bem os olhos para que a pudessem imaginar melhor.

Estou na secção de roupa interior masculina, num qualquer hipermercado nos arrabaldes de Lisboa. Sinto-me uma grua, arrastando penosa mas ligeiramente o carrinho de compras. Vejo-me na obrigação de desbravar caminho por entre um grupo de cavalheiros que resolveram entupir a circulação num raio de cinco metros, e estariam certamente à espera que lhes pedisse, por favor, para me deixarem passar - não o faço. Há qualquer coisa de comum naquelas fisionomias. Sim, são obviamente familiares em alegre passeio excursionista. Quando consigo finalmente vislumbrar uns boxers pendurados, tenho ainda de reclamar terreno à matriarca do grupo que, muito senhora do seu papel, debita ali mesmo a tese da "Boa Cueca", aos gritos, como se fosse ela própria candidata às próximas presidenciais, na tentativa de persuadir o eleitorado - no caso, o filhinho de trinta e tal anos, que acena que sim com a cabecita, qual cachorrinho dependurado do pára-brisas de um 2 cavalos. Eloquente, vai bradando:

- Vês? Estas é que são boas!

- Mas esse tamahno é grande...Depois alargam muito- arrisca o desgraçadito a medo.

- Isso do tamanho é como quiseres. É pormenor- condescende ela.

- Mas são feias- desdenhava ele do padrão Picasso em tons de La Prada.

- Ó filho, isso não interessa! Não é para ninguém ver! É só para ti!

Oração do dia:

Senhor, ajuda-me a escapar à ingenuidade quando a minha filha crescer.
Senhor, ajuda-me a aceitar que ela cresceu.
Senhor, dá-me coragem para a ir libertando.
Senhor, faz-me cair uma telha sobre a cabeça, se não entender um dia que a roupa interior dela não é da minha conta, embora este já não seja um assunto que só a ela diz respeito.

Anacronismo descarado

FELIZ NATAL!!!

Justificação de faltas

O 1º período, este ano lectivo, terminou da seguinte forma: alvorada às 6h00 da madrugada, para fazer o almoço à miúda, porque o estupor do grilo que me usurpou a consciência não permite que ela fique com a comidinha da creche. Saída de casa às 7h30 da manhã, sem ver a minha filha – não fosse ela acordar e comprometer o duche do pai daí a dez minutos. Regresso a casa às 8h00 da noite, ainda a tempo de a ver fechar os olhos antes de ir para a cama....

Justificam-me as faltas assim mesmo, ou não dispensam o atestado médico?

Nota absolutamente a propósito: ODEIO A SENHORA MINISTRA!!!!!

Schhhhhhhhhhhhhhhui...

Deixa-me cá entrar de mansinho, acariciando as teclas sem grande alarido, a ver se ninguém repara nesta desavergonhada que nunca mais passou cartão à malta, nem sequer pelo Natal... Com um pouquinho de sorte ainda consigo editar e publicar o próximo post sem que tenham tempo de comentar este, para poder dizer: “Já cá voltei há imenso tempo, vocês é que não repararam!...”

quinta-feira, dezembro 08, 2005

39.7 Cº

Sempre disse que morreria se algum dia visse semelhante combinação de algarismos no display do termómetro dela. Não morri. Reagi. Insisti e confiei na sua capacidade de recuperação sem antibióticos, eu e o pediatra. Ganhámos a aposta. Ela ganhou uma guerra que me pareceu bem mais longa que a dos 100 anos. Boa, miúda!