segunda-feira, março 31, 2008

Mama(ã)

Conversa de mama(ã), agora. Estou maravilhada com esta coisa da amamentação, esta novidade que vou desembrulhando, todos os dias. Fascina-me descobrir que nem só o menino pede mama. As mamas pedem também menino, num grito dorido, infalível. É só chegar a hora. Se a hora não chega, é só ouvi-lo chorar. Às vezes é só cheirá-lo, tomar-lhe o peso nos braços, olhar para ele. Abocanha, predador sem dó, esta mãe esquecida da dor. Enternece-me ainda o sorriso de láctea bebedeira, assim que termina o festim. Revira os olhos, desampara os braços, tomba-lhe a cabeça para trás e deixa a descoberto a barbela deliciosamente replicada, por baixo do queixo, a pedir beijos.



Roubaram-me este prazer à primeira. Agora eu não deixei, alguém comigo não deixou também e eis que me descubro como nunca me imaginei. Uaaaaau!!!

Quem espirrou?

Agora, cá em casa, é assim. Contingências do novo formato, o A4.

segunda-feira, março 24, 2008

50%

Certo. Comer os ovos de Páscoa da minha filha não me fica muito bem... Já os do meu filho... é mesmo o que tenho a fazer, pois que se o moço mama (e como mama!), a César o que é de César. Vistas assim as coisas, o teor de indecência das mesma desce para o cómodo índice dos 50%.

quinta-feira, março 20, 2008

domingo, fevereiro 10, 2008

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Um boi

Pois claro que não lhe dei o boi. Ela também não fez fita, nem sequer insistiu. Caramba! Já são bichos a mais! A caixa está cheia! É que nunca pode ser um de cada vez... Temos sempre de lhe comprar uma família, mesmo que monoparental - Cão pede cachorro, galinha pede pinto, leão pede leoa e cria de leão... Bolas! A vaca já tem vitelo! Ainda mais um boi?! Não, não pode ser, que as moedinhas custam a ganhar, depois não chegam para comer e lá tem o pai de ir para longe em busca de mais...

ALTO!

- Bem... tenho de ir trabalhar para pagar o boi, tenho?! Ou tenho de ir ali buscar a minha moedinha?...

Bom... bem... bem... bom... Então, era um boi, não é verdade? OK.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Dos tachos e do Amor

Pensava eu – defendia-o com toda a convicção – que ninguém pode dar o que não recebe e que o inverso era também verdade – que acabamos por devolver ou vomitar o que nos dão e vamos absorvendo. Afinal não é assim. Nenhuma das premissas se verifica invariavelmente.

Eu conhecia a resposta, a ponto de ter deixado de fazer a pergunta. Não valia a pena procurar saber o segredo daquele soufflé nem o truque do rolo de carne. Eram delícias de Amor e pronto. Para a minha mãe nada daquilo tinha a ver com uma excelente mão para a cozinha. Dizia ela, sempre, que o tinha feito com Amor, com muito Amor, e que desta forma tudo saía apurado. Ora, sabendo-a eu tão mal amada, tão temperada de sal e ofertada de fel, como era possível verter naqueles tachos um Amor assim? Compreendo hoje que falava do Amor que nos tinha, aos filhos, traduzido em combinações perfeitas de ingredientes, à partida comuns e irrelevantes. Isso eu já entendi, com dez anos já o entendia. O que continua a fazer-me confusão é a facilidade com que deitava aos tachos o que não recebia, nem tinha como comprar ou trocar... Onde ia ela buscar tanto Amor? Tanto, tanto, como só pode atestar quem se sentava à mesa lá em casa. Afinal, também eu hoje me debato com os tachos e tenho de me confessar incapaz de semelhante prodígio... Lágrimas e a mais elementar das macarronadas são pura e simplesmente incompatíveis, de tal forma que a qualidade do que levo à mesa é o reflexo fiel do meu estado de alma.

Ontem, o frango da mãe cá de casa não apurou. A minha mãe tê-lo-ia feito tão bem...

quinta-feira, janeiro 10, 2008

A mãe dá


Ai, dá, dá! Tanto que a encomenda está despachada! Fantásticas estas bonecas-mamãs-parideiras-amamentantes! O pormenor do cordão e da placenta é ou não uma delícia? Ai que veio mesmo a calhar! É só espreitar.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Eh, pá!


Escapou-me! Esqueci-me de assinalar a efeméride, o estrondoso acontecimento, o que realmente podia ter aberto os Telejornais e primeiras páginas do dia... Escapou-me...






A MIÚDA CORTOU PELA PRIMEIRA VEZ O CABELO! Aos 3 anos!!! Os caracóis continuam lindos, não muito diferentes, mas estamos agora muito mais à vontade para voltar à cadeira (que é como quem diz à mota) do cabeleireiro. Ela agradece-te a ideia.

Ah! O Telejornal seria o de 21 de Dezembro último. Escapou...


Pedra preciosa


Caminho(s) em férias


O Pai Natal volta?

Nota: Pode vir sem Clooney. Dispenso. Bastam as cápsulas, as pretas, já agora.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

In utero


Este ano tenho o Natal cá dentro. Nunca tinha acontecido. Sempre achei bonito que acontecesse. Este ano sou eu o embrulho, de laço azul. Tenho cá dentro o Rossio iluminado e aconchegado em lã e cheiro de castanhas assadas. Sinto-me calda morna de rabanadas, no consolo das avelãs roubadas à mesa ainda intocável. Era ainda uma menina da última vez que experimentei um Natal assim.


Um Natal assim para todos. Queria mesmo.


Há quem acredite no Pai Natal...

- Mãe, que prenda queres para o Natal? Um carro ou uma casa?

Eu prefiro acreditar na minha filha.

sábado, dezembro 15, 2007

Do Natal na escola...


Giro, giro é assistir à excitação dos pais cantando o que eles interpretavam em palco, com gestos e tudo, e ver-me também nesta alegre figura, à custa de tantos ensaios que chegavam inevitavelmente à casa de cada um, desde o início do mês de Novembro. Eu abanei o rabinho e tudo - atenção! - como o patinho da canção!

Giro, giro é dar comigo comovida, às lágrimas, com a actuação dos filhos dos outros...

Giro, giro foi ter sentido ali o verdadedeiro espírito de Natal, o autêntico, o genuíno, sem uma referência que fosse ao meu Natal católico. O colégio é laico, eu não, mas acho que é assim que deve ser. A pluralidade intelectual, moral e social também se educam.


sábado, dezembro 08, 2007

Frase do dia (de ontem)

«Estou tão cansada, que tenho medo de mim...»

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Ela e Sophia. Sophia e Ela.

Lembro-me de ter passado por longos tempos de perturbação, aquando da morte de Sophia. Nesse mesmo ano nasceria Ela. E o inconformismo durou tanto tempo, que, dois anos depois, quando Ela agitou no ar uma folha rabiscada, gritando "Olha, mamã! É o mar!", a surpesa condicionada acendeu-me no pensamento um "Ah! Sophia! É o mar de Sophia! É a Menina do Mar!" Pois... Podia lá ser! Ela nunca lera Sophia. Eu nunca Lhe lera A Menina do Mar. Mas estava tudo lá - achava eu. De tal forma que tratei de colar as palavras ao desenho, a ver se a coisa convencia os mais cépticos, se lhes entrava pelos olhos dentro aquilo que eu estava a ver. Assim:



Meninas do Mar_0001
Colocado por dia-a-dia


Hoje fui buscá-Las, às duas. Não tropecei nelas. Fui buscá-Las. Em boa verdade, era a Ela que procurava. Novos receios fazem-me procurá-La, trazê-La até mim, puxá-La contra o meu peito. Na busca daquele desenho dei então com Sophia, porque ambas se haviam juntado há um ano atrás. E gostei tanto de as ver juntas! Para mim, foi feliz a hora em que me lembrei, precisei, de as misturar.



Texto: Sophia de Mello Breyner Andresen, excertos d'A Menina do Mar.
Desenho: Rita, a querida filha desta mãe.
Música: Madredeus, As Ilhas dos Açores.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Há desejos que não podemos manifestar a uma mãe...




E eu só disse que aquele frasquinho de doce de abóbora estava óptimo...

(Doce de abóbora com noz, que eu como aos montes em tostas, com requeijão de ovelha... Prazeres de Outono, enfim...)