quarta-feira, outubro 31, 2007

Vou dizer-te uma coisa, mãe...


Hoje é dia d' Ai ó lindo...




E eu, que nunca achei gracinha nenhuma à tradição importada, sendo assim, aceito.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Briefing

Tenho o prédio repleto de meninos do gás e o forno continua no meio da cozinha...

O menino do gás

Entrou-me cá em casa, sem bilha cor-de-laranja - com ar fresquíssimo, é certo - aparafusou, desaparafusou, enroscou, desenroscou e declarou: "Se tivermos de voltar, só a partir das 14h00."



Se tiver de voltar???!!! Se???!!! Com o forno no meio da cozinha??!! Quer-me cá parecer que estamos a atingir os píncaros da discriminação sexual!... Eles, com as meninas dos gás, governam-se muito melhor...

domingo, setembro 30, 2007

Lá em cima está o ti-ro-li-ro-liiiro...

Cá em baixo está o ti-ro-li-ro-lóóó... Sendo este segundo eu própria, vítima da minha vizinha de cima, que tem uma noção muito sui generis de "serviço público". Acha a senhora que, oferendo-me a sua música aos gritos, pratica o mais caritativo acto de partilha. Se assim não fosse, não teria a benemérita optado mais recentemente por abrir as janelas do apartamento, qual porta pontifícia em ano de Jubileu, para brindar toda a freguesia com os acordes do seu hi-fi.

Bom, mas os codóminos do 3ºD não passaram do mote que me traz à ideia de "serviço público". É que ando cá com a consciência roída, por me considerar em falta de há uns tempos a esta parte. Porque há coisas que tenho vontade de publicar no blog, mesmo sem lhes reconhecer qualquer utilidade pública; e há outras que, mesmo faltando a vontade, sinto que devo publicar, porque daí poderia vir grande benefício para muita gente... sinto-o como uma espécie de obrigação social. Sim, um blog tem obrigações socias a observar, queiramos ou não, a partir do momento em que abrimos janelas para a rua. E eu só não as observo por preguiça pura. Bem... isto digo eu... se calhar, o meu "serviço público" nem teria interesse para ninguém, e o melhor seria cingir-me à minha condição de ti-ro-li-ro-lóóó e deixar-me de cantigas...

Nota de esclarecimento:
Vem isto a propósito de qualquer coisa de muito importante que já deveria ter publicado no outro blog... Mas a paciência, senhores, a paciência...

segunda-feira, setembro 24, 2007

Sinto-me cega


Quando as fotos me abalam em ondas de choque, só porque não reconheço a miúda enorme que vejo. Não sabia que ela estava já assim. Juro. Não sabia.


sexta-feira, setembro 21, 2007

Dias úteis

O sábado e o domingo. E quem inverteu o conceito é um filho da mãe de um masoquista.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Volta não volta

Reparo que este blog anda demasiadamente baby... Reparem no advérbio. Não é a minha vida - que este blog não é a minha vida- é o blog, nem sei dizer porquê... Mas isto passa.

Peculiar

Peculiar é o facto da minha miúda só fazer xixi numa sanita e cocó num bacio. Peculiar é ainda o facto de andarmos sempre com um redutor de sanita atrás de nós, porque não é capaz de usar sanitas estranhas. Estranho.

Daqui, vai um beijo

Apertado, apertado, para as mães de filhos que, por estes dias, ficam na escola a chorar. Foi há um ano, mas não esqueci. Das dezenas de pedaços que me faltam, uma boa parte foi-me arrancada por aqueles dias, sempre que a deixava a chorar. Passou.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Ai a Língua Portuguesa...

A 90 minutos do baptizado da prima M., o pai apresentava-se com uma barba de quatro dias, quando ela lhe pede colo, trepando por ele acima.

- O pai não pode. Agora o pai tem de ir fazer a barba.

- Não. Não faças que já tens muita...

quarta-feira, setembro 05, 2007

Há fantasmas teimosos




Como aquele que espreita, quando ela pergunta "A R. ainda cabe no colo da mamã, não cabe?" E eu, fartinha de saber que vai caber sempre, mantenho-me assombrada pelos fantasmas da minha própria infância.

Cuidado com a miúda!




(Esta é para afixar junto ao portão da quinta, quando tiver uma.)

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos...


segunda-feira, julho 30, 2007

Mais memórias

Depressa, depressa, depressa, que com a porta assim escancarada para o meio da estrada, mais carro nenhum passa e a sexta-feira tem pressa de chegar a sábado. A miúda até colabora e acomoda-se, atravessa o cinto e não protesta quando lhe peço que espere um bocadinho, porque está um carro para passar. Encosto a porta e faço o gesto maquinal do "venha, venha", de qualquer arrumador do Largo do Caldas, há uns anos atrás. Mas não veio. Veio, mas não passou. Quem parou mesmo ali, ao meu lado, atirou pela janela fora: "Olha, tu não és a S.?" Disse que sim, já em modo scanning, em busca rápida pelos ficheiros da memória. Mas não, aquela cara não me dizia nada... "De São Vicente? Lembras-te de mim?" Eh, pá... é chato, eu sei... mas continuava em branco e tive mesmo de dar a mão à palmatória: "Não me ocorre... Qual é o nome?" Nem assim... O embaraço era crescente, mas nem com o L.M. lá cheguei. Pedi-lhe o apelido. Ah! L.M.R.!!!! Sim! Sim???!!! Grisalho, pesado de anos, com filhos enormes no banco de trás???!!! O trânsito acumulado não deu tempo a esclarecimentos. Só um "Tudo a correr bem! Gostei de te ver!" No entanto, teria bastado uma pergunta, uma só, daquelas que não fazemos por não estarmos certos de querer ouvir a resposta - O meu primeiro namorado? Do colégio onde crescemos, ao colégio dos nossos filhos vai um salto demasiado grande e, assim de repente, nem sei se quero atravancar de novo o trânsito à saída...

Memórias

O miúdo/homem - o moço, portanto - interompeu-me o trajecto e os pensamentos com um : "Olha a minha stora de Português!". Seguiram-se aqueles segundos, da cor da eternidade, enquanto a pergunta me baila na cabeça, a pedir resposta urgente: "Como é que te chamas? Eu lembro-me, eu lembro-me... Como é que te chamas?". E o miúdo/homem - miúdo pelos olhos ainda gozões, homem pela barba que faz picar os bejos - continuava: "Que saudades! Está na mesma! Fantástica..." Ai, moço, moço... Quem foi que te ensinou a diplomacia hipócrita e de circunstância? Não fui eu, que naquele tempo não sabias evitar o bocejo por cima da conjugação verbal! Por aí preferia que não crescesses e que me falasses das saudades da professora/miúda de ar fresco... Mas, na torrente do palavreado protocolar, eis que deixa cair: "Sempre na mesma! Fantástica! O mesmo cheiro de sempre!" ALTO! A nostalgia é genuína, a saudade também! O agora homem fala-me do perfume que, de facto, nunca mudei... e eu comovo-me, finalmente, com a memória dos sentidos, que nunca pensei resistir ao tédio de tanto verbo conjugado... Mas que aprendeste muito depois de mim, ai isso aprendeste...

quarta-feira, julho 11, 2007

Força, amigas da boa forma!

Esta é para ti, para ti e para todas as restantes que andam para aí a queixar-se de vacas e de mistelas com gosto a frutos tropicais. Não se queixem, não? Há quem padeça muito mais.

terça-feira, julho 10, 2007

Casei com um ateu, graças a Deus.

Tenho tanta pena que a hierarquia da minha Igreja insista em passar a imagem de que a virtude e a nobreza de valores está toda do lado de cá, ainda que o discurso oficial, o politicamente correcto, afirme o contrário. O lado de lá não passa da massa passível de conversão, o lado errado, o que devemos tolerar, até que a luz os ilumine. Tenho pena. Tenho pena de não ter senão isto para mostrar ao meu ateu. Quando casámos ainda alimentava a esperança de poder vir a ser, eu própria, exemplo da minha Igreja... mas quando olho para trás não sei sequer se tenho estado à altura do desafio. Ele sim, tem sido para mim um exemplo, uma lição.

Tudo isto à luz do acordo tácito que nos rege: eu nunca tentarei convertê-lo; ele nunca tentará demover-me da minha fé.

segunda-feira, julho 09, 2007

Lavoisier

Cheguei a acreditar que, de facto, tudo se transforma, nada se cria, nada se perde. Não, não é bem assim, que me desculpe o distinto senhor da Química. Não consigo deixar de ficar estupefacta com o exercício de paternidade que testemunho cá por casa. Ele NUNCA teve um pai verdadeiramente presente, envolvido, afectuoso e dado. Não teve modelo para estes predicados, no entanto, perdeu não sei onde a imagem do pai distante e alheado, e criou um pai de abraços, beijos e colo, assim, do nada. É O PAI. Ponto final.

segunda-feira, julho 02, 2007

sexta-feira, junho 22, 2007

CGTP em casa

Cá a Gente Também Pia - foi o que ela pensou, só pode.

- Hoje não quero ir à escola! - mas isto dito com ar de sindicalista irredutível.

Ora experimenta lá fazer geve, a ver se me impressiono.